O avanço do carrapato bovino tem gerado preocupação entre produtores rurais e especialistas em sanidade animal no Rio Grande do Sul. O aumento da resistência aos produtos químicos utilizados no combate ao parasita, aliado às mudanças climáticas, vem agravando o problema nas propriedades rurais do Estado.
Diante desse cenário, uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF) busca alternativas mais sustentáveis para controlar a infestação. O estudo aposta no controle biológico aplicado diretamente nas pastagens, utilizando microrganismos capazes de combater os carrapatos sem causar danos aos animais ou às pessoas.
A médica veterinária e coordenadora de Defesa Sanitária Animal da Emater/RS-Ascar, Thaís Michel, explica que o trabalho de orientação aos produtores ocorre há mais de dez anos em parceria com o Instituto. Segundo ela, o principal desafio enfrentado atualmente é a perda de eficiência dos carrapaticidas tradicionais.
Conforme a especialista, praticamente todas as propriedades já apresentam algum grau de resistência aos produtos químicos. O uso repetitivo do mesmo princípio ativo e aplicações feitas fora do período adequado acabam fortalecendo os parasitas resistentes.
Outro fator que contribui para o aumento da infestação é o clima. Os invernos menos rigorosos e os períodos prolongados de calor favorecem a sobrevivência e a reprodução do carrapato. Além disso, as raças taurinas, predominantes no Sul do país, são mais suscetíveis ao parasita em comparação às raças zebuínas.
O pesquisador e diretor do IPVDF, José Reck, destaca que o controle biológico utiliza fungos e bactérias encontrados no próprio solo para atingir o carrapato ainda na fase em que ele permanece nas pastagens. Após identificados em laboratório, esses microrganismos são multiplicados e aplicados em formulação líquida nas áreas de criação.
Segundo Reck, a principal vantagem do método está no fato de que os microrganismos também evoluem naturalmente, acompanhando as mudanças do parasita, diferentemente dos produtos químicos, que permanecem com a mesma composição ao longo do tempo.
Os primeiros resultados obtidos nas propriedades acompanhadas pelo Instituto são considerados positivos, apontando redução da quantidade de carrapatos nas áreas tratadas. A expectativa é que, nos próximos anos, a tecnologia possa chegar ao mercado por meio de empresas do setor de bioinsumos.
Enquanto as pesquisas avançam, técnicos da Emater reforçam a importância do manejo preventivo, do uso correto dos produtos e da redução da dependência de químicos no combate ao carrapato bovino.