A concorrência entre lojas físicas e o comércio online está mais intensa do que nunca. Com a expansão acelerada das compras digitais, o varejo tradicional tem sido obrigado a se reinventar para manter a atenção do consumidor — que hoje exige preço competitivo, conveniência e uma experiência diferenciada de compra.
Especialistas afirmam que, diante da força do e-commerce, o atendimento nas lojas presenciais precisa ir além do básico. Não basta apenas abrir as portas: é necessário fazer com que a visita do cliente valha a pena, mesmo que isso signifique pagar um preço um pouco maior pelo produto.
Para entender melhor esse cenário, o Sindicato dos Lojistas de Porto Alegre (Sindilojas POA) realizou uma pesquisa com consumidores sobre suas intenções de compra na Black Friday. Os resultados revelam que o cliente está mais exigente e que o varejo físico precisa de criatividade e estratégia para recuperar espaço.
O levantamento mostra que 26,5% dos clientes querem preços menores do que os encontrados no digital, evidenciando que a competitividade no valor ainda é determinante para a decisão de compra.
Outros fatores importantes citados pelos entrevistados incluem:
Atendimento humanizado (6,8%)
Experiências exclusivas nas lojas (3,3%)
Facilidade de pagamento (3,3%)
Testes dos produtos (3,3%)
Mais descontos (3,3%)
Marketing mais forte (1,3%)
Entrega sem custo de frete (1,3%)
Variedade de produtos (1,3%)
Além disso, uma parcela significativa dos consumidores ainda não sabe exatamente o que espera das lojas físicas: 61,1% não responderam à pergunta, demonstrando que o setor vive um momento de transição e incerteza.
Mesmo com os desafios, o Sindilojas POA avalia com otimismo o período após a Black Friday e projeta números positivos para o Natal. A estimativa é que as vendas cheguem a R$ 4,8 bilhões, crescimento de cerca de 10% em relação a 2023.
Também há expectativa de geração de aproximadamente 86 mil vagas temporárias até o fim do ano, impulsionadas principalmente pelo setor de serviços — responsável por metade dos postos criados.
Outro ponto de otimismo está na melhora do mercado de trabalho. A média salarial do trabalhador brasileiro chegou a R$ 3.103 em 2025, o maior valor desde 2014, acompanhando o aumento de renda e o pagamento de benefícios como o 13º salário.
O comércio físico, apesar das dificuldades, vê no fim do ano uma oportunidade para recuperar parte das perdas e fortalecer a relação com os consumidores.