No episódio de estreia do quadro "Histórias e Legados: Vidas que Inspiram", o programa Conversa Aberta recebeu Rosalina Ferreira dos Santos, a Dona Rosa. Benzedeira há 74 anos, ela compartilhou relatos de fé, superação e a sabedoria ancestral com ervas.
O estúdio da Rádio Fronteira Missões foi preenchido por uma energia diferente nesta manhã. O programa Conversa Aberta deu o pontapé inicial ao quadro "Histórias e Legados: Vidas que Inspiram" com uma convidada que é um verdadeiro patrimônio cultural de Santo Antônio das Missões: Dona Rosa, ou Rosalina Ferreira dos Santos, que esteve no nosso estúdio principal acompanhada de sua filha Helena.
Aos 94 anos (embora os documentos, registrados "por safra" pelo pai que não sabia ler, digam outra data), Dona Rosa esbanja lucidez e uma força que atravessa gerações. "A rapa do tacho" de uma família de 12 irmãos, ela nasceu em meio a revoluções e traz no sangue o dom herdado da mãe, que também era benzedeira e parteira.
Uma Vida de Trabalho e Independência
Dona Rosa não é apenas uma guardiã da fé, mas um símbolo de empoderamento muito antes do termo virar moda. Durante a entrevista, ela relembrou com orgulho como criou sua única filha, Helena, sozinha.
Conta ela que teve um único namorado durante a vida toda, que foi o pai de sua filha.
“Meu namorado disse que não queria filho. Eu disse: “a estradinha é ali, ó. Sai na rua e te manda. Eu vou criar sendo macho ou fêmea", relembrou ela, arrancando sorrisos e admiração dos ouvintes.
Nesse momento ela contou também que desde que sua filha era bem pequena, ensinava ela a ajudar nas coisas de casa, como esfregar suas próprias roupinhas, amparar as panelas e varrer a casa delas que na época era de chão batido, tudo isso com o propósito de formar uma mulher sábia, independente e íntegra. Assim como a Helena é hoje.
Além de benzer (sem nunca cobrar nada), Dona Rosa trabalhou em
casa de famílias tradicionais na comunidade, já foi cozinheira para grandes grupos, trabalhou na roça, carpindo, lavrando com arado e vendendo temperos de porta em porta, estes que ela mesma produzia em sua horta."A única coisa que eu não fiz nesta vida foi dirigir motorizado", afirmou.
Fé que Une Ciência e Tradição
Um dos momentos mais marcantes da entrevista foi o relato sobre o Doutor Vineton. Dona Rosa contou que o médico, sofrendo com um espasmo facial que estava o impedindo de falar e dormir, recorreu ao seu benzimento e aos seus remédios caseiros. A cura foi tão marcante que, em gratidão, o médico presenteou Dona Rosa com o piso que reveste sua casa até hoje.
O Legado das Ervas
Com 74 anos dedicados ao próximo sem cobrar nada, ela lamenta que a tradição das benzedeiras possa estar chegando ao fim. "Vai se terminar. Porque ninguém mais planta uma erva. Ninguém mais cuida, e não basta fazer uso delas ou querer benzer para ajudar alguém, sem ter fé e a conexão com o sagrado para as coisas melhorarem", alertou.
Ela citou receitas poderosas que utiliza há décadas, como o uso do sabugueiro, da erva de passarinho, da pitangueira e do xarope com parte da árvore da bananeira para tosses rebeldes. Ela ainda deu dicas de ervas que são boas para determinados objetivos.
A participação de Dona Rosa gerou uma onda de carinho nas redes sociais da rádio. Ouvintes de várias idades enviaram mensagens relatando curas de filhos e netos pelas mãos da benzedeira.
Assista ou ouça a entrevista completa nas nossas redes sociais e emocione-se com essa vida que, de fato, inspira.