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Consumidor 60+ no RS prioriza loja física, dinheiro em espécie e fidelidade aos estabelecimentos
04/08/2026 15:34

 

Levantamento inédito da Fecomércio-RS revela que, apesar do avanço do e-commerce e do Pix, a população idosa gaúcha valoriza a experiência presencial, o bom atendimento e o controle financeiro do dinheiro papel.

Mesmo em um cenário de rápida digitalização e expansão das compras online, a população idosa do Rio Grande do Sul segue apegada a hábitos tradicionais de consumo. É o que aponta a Pesquisa de Hábitos de Consumo de Pessoas Idosas 2026, divulgada pela Fecomércio-RS (Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul).

O estudo traçou o perfil de consumo de pessoas com 60 anos ou mais em diversas regiões do Estado e confirmou que a loja física continua sendo o canal preferido de compras: 58,2% dos entrevistados preferem realizar suas compras em estabelecimentos no Centro das cidades, enquanto apenas 13,8% utilizam a internet para adquirir itens como roupas, calçados e eletrônicos.

Dinheiro em espécie ainda lidera na hora de pagar
A preferência por métodos tradicionais também se reflete no momento do checkout. O dinheiro em papel é o principal meio de pagamento para 45,7% dos idosos, superando opções digitais e de crédito:

Dinheiro em espécie: 45,7%

Cartão de crédito parcelado: 27,5%

Cartão de débito: 24,7%

Pix: 22,9%

Segundo a análise técnica do levantamento, essa resistência aos meios digitais combina costume, busca por maior controle financeiro pessoal, menor familiaridade com as ferramentas tecnológicas e o constante receio de cair em golpes ou fraudes virtuais.

Fidelidade à loja supera a ligação com marcas
Outro achado expressivo da pesquisa é a relação do idoso com os pontos de venda: a fidelidade está associada ao estabelecimento, e não à marca dos produtos.

Enquanto 74,5% afirmam não ter apego a marcas específicas, 56,9% garantem ser fiéis às lojas onde costumam comprar. Elementos como ambiente agradável, boa organização, preços competitivos e, principalmente, o atendimento ao cliente são determinantes para manter o público cativo.

Na escolha do local de compra, os fatores mais decisivos apontados foram:

Preço e ofertas: 65,5%

Promoções: 31,7%

Qualidade dos produtos: 21,8%

Atendimento: 17,4%

Apesar de 83,9% afirmarem não encontrar grandes dificuldades ao fazer compras, entre os que relatam problemas, o mau atendimento de vendedores foi citado por 14,5% como o principal obstáculo no varejo.

Compras funcionais vs. Lazer: diferença de gênero
Para a grande maioria (82,3%), ir ao comércio é uma tarefa estritamente funcional, focada em suprir necessidades de produtos essenciais. No entanto, uma parcela utiliza o momento para socializar ou relaxar: 11,2% enxergam a ida às compras como lazer e 6,5% como oportunidade de interação social.

Neste quesito, há uma marcante diferença entre os gêneros: 18,8% das mulheres encaram as compras como atividade de lazer, contra apenas 2,3% dos homens.

Alimentação fora de casa, estética e turismo em alta
Além da compra de medicamentos e alimentos para casa, outros serviços se destacam na rotina da terceira idade no Estado:

Alimentação fora do domicílio: Prática frequente para 46% dos ouvidos.

Salões de beleza e barbearias: Frequentados regularmente por 29,1% no geral (chegando a 35,6% entre as mulheres).

Turismo e Viagens: 40,5% têm o hábito de viajar. Desses, 51,9% viajam por lazer e 39,7% para visitar parentes e amigos. Em termos de frequência, 35,3% viajam pelo menos uma vez ao ano e 26,9% a cada seis meses.

O estudo observou ainda que o consumo de refeições fora de casa e serviços de estética aumenta de forma diretamente proporcional ao poder aquisitivo dos entrevistados.

Perfil socioeconômico e familiar
No aspecto financeiro, 81% dos idosos têm na aposentadoria ou pensão sua principal fonte de renda, enquanto 25,5% permanecem ativos no mercado de trabalho recebendo remuneração.

Sobre a moradia e arranjo familiar:

37,4% moram com familiares;

32,7% residem sozinhos;

29,4% vivem com o cônjuge.

O desafio da adaptação no comércio multigeracional
Para o presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac, Luiz Carlos Bohn, os dados reforçam a necessidade de o comércio local se preparar para atender clientes de diferentes gerações no mesmo ambiente.

"O comércio vai conviver com uma intensidade cada vez maior com um público multigeracional. Adaptar-se, antes de mais nada, é entender e atender as necessidades dos variados públicos. Os dados mostram que o consumidor 60+ valoriza a experiência de consumo, o que se traduz na fidelidade a lojas", destacou Bohn.

Autor: Rádio Fronteira Missões

Fonte: Jornal O sul

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