A recuperação econômica segue avançando no Rio Grande do Sul, com destaque para os trabalhadores informais, que registram aumento de renda acima da média observada no período pré-pandemia. Embora o ritmo esteja mais moderado, o setor de serviços e comércio online tem desempenhado papel decisivo para reorganizar o mercado laboral no Estado.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, os salários dos trabalhadores sem carteira assinada cresceram 26,03% no terceiro trimestre de 2025, em comparação ao mesmo período de 2019. Esse avanço representa quase o triplo da expansão registrada entre trabalhadores com carteira assinada.
O coordenador da PNAD Contínua no RS, Walter Rodrigues, explica que o aquecimento do consumo, aliado ao fortalecimento do comércio digital, tem modificado a dinâmica do mercado de trabalho. Ele destaca que o desemprego caiu ao longo do ano, mas aponta que a ampliação de vagas formais ainda esbarra na falta de qualificação exigida por setores mais competitivos.
O aumento do número de pessoas trabalhando por conta própria também tem influenciado as estatísticas. Profissionais autônomos – muitos deles atuando no comércio eletrônico – registraram rendimentos mais elevados, mesmo em comparação a categorias tradicionais com carteira assinada.
Essas mudanças na estrutura ocupacional ajudam a explicar porque, mesmo com mais contratações formais, o crescimento salarial segue mais forte entre trabalhadores informais e empreendedores individuais.
O comportamento do consumidor também passou por transformações profundas. Conforme aponta o professor e pesquisador Moisés Waisman, da Universidade Feevale, a digitalização acelerada durante a pandemia consolidou novos hábitos de compra.
Waisman ressalta que as pessoas passaram a priorizar preços, conveniência e rapidez, fortalecendo o mercado de plataformas online e pequenos empreendedores conectados. Com isso, setores que dependem dessa cadeia digital passaram a demandar mão de obra diferenciada, especialmente em logística, vendas e atendimento remoto.
Com o avanço do comércio digital e o aumento do trabalho por conta própria, especialistas indicam que a tendência é de um mercado cada vez mais híbrido — misturando empregos formais, autônomos e serviços prestados pelas plataformas digitais.
A expectativa é que o cenário continue se ajustando, sobretudo conforme as políticas econômicas e a inovação tecnológica avançam para responder à nova lógica de consumo no pós-pandemia.