O presidente da Fetag-RS, Carlos Joel, participou do programa Conversa Aberta, da Rádio Fronteira Missões, e fez um alerta contundente sobre a realidade vivida pelos produtores rurais gaúchos. Segundo ele, são cinco anos seguidos de problemas climáticos, sem uma safra cheia, resultando em endividamento, desânimo e dificuldade para manter a produção.
— É uma situação muito difícil. O produtor vem enfrentando cinco anos de problemas climáticos, sem safra cheia. O custo sobe, no outro ano o preço cai, mas o valor da dívida fica, destacou.
Ele lamentou que, ao longo desses anos, “o governo foi empurrando as dívidas com a barriga”, sem apresentar soluções definitivas. Muitos produtores, segundo ele, não conseguiram nem plantar nesta safra devido ao alto nível de endividamento e à falta de recursos.
Carlos Joel destacou que, apesar de 2024/2025 ter trazido resultados positivos em várias culturas, os preços pagos ao produtor são extremamente baixos:
Arroz: custo de R$ 90, vendendo a R$ 57
Trigo: custo de R$ 70, vendendo a R$ 35 — e muitas vezes sem compradores
Leite: custo de R$ 2,25 por litro, produtor recebendo entre R$ 1,85 e R$ 1,90
Milho: boa produção, mas preço abaixo do necessário
Segundo ele, o produtor está pagando para trabalhar.
O presidente da Fetag ressaltou que uma parte das dívidas já foi renegociada, mas outra grande parcela ainda não. O Congresso aprovou na Câmara a lei que prorroga em 12 anos as dívidas dos produtores, mas o Senado ainda não analisou o projeto, o que, segundo ele, “atrapalha ainda mais a vida do agricultor”.
Além disso, ele criticou a resolução do governo federal que enquadra apenas 25% dos produtores gaúchos, liberando R$ 12 bilhões em recursos para o país — mas apenas R$ 7 bilhões para o Rio Grande do Sul.
“E os demais produtores? Como ficam?”, questionou.
Carlos Joel reforçou que os recursos enviados são importantes, mas não suprem a demanda, ainda mais para um país que deveria ser líder mundial na produção de alimentos.
Mesmo com todas as dificuldades, ele afirmou que o produtor rural continua acreditando e seguindo firme no campo:
— O produtor luta, insiste e segue acreditando. E nós seguimos lutando em Brasília e onde for preciso para garantir apoio à linha de frente, que é quem coloca comida na mesa dos brasileiros.
A Fetag-RS seguirá em agenda com parlamentares e ministérios para buscar novas medidas, mais recursos e soluções duradouras para o endividamento e para a estabilidade econômica do setor agrícola gaúcho.