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Marianita Ortaça: O que é erro afinal?
20 de maio de 2020 às 11:01
Marianita Ortaça: O que é erro afinal?
(Foto: Arte | Eliara Cruz)

Errar todo mundo erra. É humano. Somos seres imperfeitos. Mas nossos erros não podem ser julgados na mesma proporção. Às vezes, existem erros tão nobres que seríamos extremamente desumanos e insensíveis os julgando como erro!

Nossas leis do mundo às vezes tão erradas condena quem não merece e absorve quem deveria condenar.

Mas ainda existem muitos homens sensíveis que compreendendo as lacunas do julgamento tão cru e superficial, dispõem de uma atitude avessa a regra, mas que é algo extremamente correto frente as circunstâncias e a humanidade que deveria existir em cada um de nós.

Esses dias, numa roda de conversa, ouvi um relato sobre a postura de um homem servidor da lei, que diante de uma acusação de furto foi averiguar o ocorrido. O objeto furtado: Um porco. Sendo o dono do porco - indignado e irado - quem dera “parte” na polícia, indicando o paradeiro do mesmo.

Os policiais foram atrás, na casa do “ladrão do porco”, um casebre, simples, muito pobre numa ruazinha abandonada pelos olhos da cidade.

Um dos policiais abriu a porta. A imagem que se revelou na frente deles foi de um pai, com um pedacinho do porco fervendo na panela pobre, num fogão de lenha. Enquanto seus filhinhos (uns quantos) esperavam com olhos apressados de fome, sentados no chão batido da miséria. Perto das crianças quietas e inquietas com a imediata fartura, estava o porco fora da lei. O porco do ato desesperado de um homem correto que estava infringindo as regras dos homens para alimentar aquela família. Quem pode julgar?

O homem mais do que depressa juntou os pulsos - não para rezar, visto que já devia ter feito isso muitas vezes -, mas para que o algemassem e prendessem, implorando para que deixassem suas crianças comer aquele porco.

O policial, do qual falei anteriormente, já estava sensibilizado com a cena. Sentiu seu coração acelerar se espedaçando quando viu em meio ao desespero da falta de pão, a possibilidade de se alimentar indo embora para aquelas crianças, que num ato repentino se debruçaram por cima do porco e começaram a comê-lo, cru!

Crianças na inocência do sofrimento sentindo que não teria jeito tentaram aproveitar e correr contra o tempo para se alimentar - como desse.

O policial pediu para que seus colegas parassem imediatamente. Não levassem o pai daquela família e nem tirasse o porco daquelas crianças. Se ofereceu para pagar ao dono do porco a quantia que cabia, e que a história terminasse por ali!

 

Por Marianita Ortaça