Gabriely Santos
Sobre Marília Mendonça e todas as outras mulheres
23/11/2021 17:13
Foto: Wikipedia

Esse mês o Brasil sofreu mais uma perda e eu nem falo da PEC e os 90 bilhões, me refiro a uma das maiores cantoras que o sertanejo produziu: Marília Mendonça. Vítima de um acidente aéreo, mil vezes transmitido na televisão e outras milhares de vezes na internet, assim como análises do que aconteceu e como e uma revisitação exaustiva – mas necessária – da sua obra e que reafirma sua importância, mas também a nossa impotência diante da morte e o nosso luto.

E como eu disse pra um amigo, muito chorei com as músicas dela, mas não achei que um dia choraria por ela, mas aqui estamos. De quem é a culpa que todo mundo vai sofrer, né? Logo, quando li, não uma, mas várias colunas e notícias falando de forma misógina e desrespeitosa dela, me voltei pra outros sentimentos, a raiva,  o questionamento; uma mulher que faz um ótimo trabalho e é reconhecida e tem sucesso por isso, compõe, canta, faz show, impacta a vida de milhões de pessoas de forma positiva (porque a sofrência não é séria como a morte, ela entretém como a vida) e o que o patriarcado acha pra falar: ela que era gordinha (ou apesar de ser gordinha) e fora do padrão – ainda assim? - fez sucesso. Ué. Seria de se pensar que todos os jornalistas e cantores do país são fitness e modelos. Mas a verdade é que ninguém se importa com o tamanho deles, esse escrutínio é só com as mulheres.

Quando viva, Marília, claramente, digladiou com sua imagem, emagreceu bastante, mudou o cabelo, alguma plástica, harmonização e sabe se mais o quê, fez, espero que porque quisesse, mas imagino que a imprensa tenha o dedo nisso, aquele dedo podre que diminui um ser humano ao tamanho do jeans que usa e ao quão sexy parece nas fotos do instagram e isso me incomoda, porque é reducionista, faz com que talento, carisma e personalidade pareçam pouco, a mídia quer mais, não o público, esse a amava como era, o inferno, já dizia Sartre, são os outros, que procuram barbies onde só existem mulheres, de carne, osso, gorduras localizadas e espalhadas, assim como opiniões  próprias que não se calam e sorriem como uma boneca faria.

Marília era linda como mulher, como artista e como ser humano e espero de coração que ela tenha morrido consciente disso. Mesmo que alguns idiotas errem em seu obituário.

 

Autor: Gabriely Santos

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