Três vítimas precisaram de atendimento médico após episódio de violência. Uber afirma que conta do motorista parceiro foi desativada da plataforma
Um grupo de amigos afirma ter sido vítima de agressões físicas e insultos homofóbicos por parte de um motorista de aplicativo na tarde de sábado (24), quando retornava de um bloco de Carnaval em Porto Alegre.
O episódio ocorreu por volta das 18h, na Avenida Padre Cacique, nas proximidades do Gigantinho. Três dos quatro passageiros ficaram feridos e precisaram de atendimento médico. Uma das vítimas sofreu fratura no nariz.
De acordo com as vítimas, a confusão começou poucos metros após o embarque, na realizado na Rua Nestor Ludwig. O jovem Kaiki Trindade, o namorado Luiz Felix e duas amigas voltavam de um evento carnavalesco quando um deles se sentiu enjoado e acabou vomitando para fora do veículo.
Agressão e homofobia
Mesmo após o grupo pedir desculpas e se disponibilizar a pagar pela limpeza do veículo e pelo cancelamento da corrida, o motorista teria reagido de forma agressiva e ordenado que todos desembarcassem do carro, um BYD Dolphin mini. A situação escalou quando um dos passageiros bateu a porta.
— Ele ficou muito irritado, desceu do carro e ele disse: “Agora vocês vão ver”. E aí veio com tudo para cima da gente. Me deu uma cotovelada no rosto e eu fiquei muito tonta. Quando olhei para o lado, ele tinha conseguido chegar no Kaiki e deu muitos socos nele. Ele gritava: “Seu viadinho, deveria apanhar o dia inteiro por ser assim” — recorda Alanis Lopes, 19 anos, que solicitou a corrida.
Segundo os relatos, além das agressões contra Alanis e Kaiki, o motorista também teria jogado o namorado do jovem no chão, fazendo com que ele desmaiasse. De acordo com as vítimas, o ataque só cessou após a quarta passageira começar a gritar por socorro. O motorista, então, entrou no carro e fugiu.
Medidas legais
Após o ocorrido, as vítimas buscaram atendimento no Hospital de Pronto Socorro (HPS). Kaiki sofreu fraturas no nariz e precisou realizar exames complementares em uma unidade de saúde particular.
— Eu ainda tô em choque. Foi muito violento. Foi assustador. Eu tenho medo do que poderia ter acontecido se ninguém tivesse chegado. Mesmo com nariz fraturado e hematomas pelo corpo, acho que o maior estrago sempre vai ser o psicológico nesses casos — disse Kaiki, ao se referir ao ataque homofóbico.
O grupo registrou um Boletim de Ocorrência (BO) por lesão corporal na 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) da Capital e realizou exames de corpo de delito. As vítimas também denunciaram o motorista à Uber, plataforma pela qual a corrida foi solicitada.
Em nota, a Uber afirma que suspendeu a conta do motorista e que "defende o respeito à diversidade e reafirma o seu compromisso de promover a igualdade e justiça para todas as pessoas LGBTQIA+" .
Os amigos levaram o caso às redes sociais, onde receberam apoios de políticos e entidades sociais.